Políticos: Esses Maravilhosos Canalhas

Por Gil DePaula

Como afirmou Nelson Rodrigues, mais de uma vez, o canalha é uma figura de incalculável riqueza interior. Tem uma complexidade, que falta justamente ao justo, ao virtuoso, ao honrado. E vamos e venhamos: – é repousante (segundo Nelson) encontrar uma dessas criaturas que encerram toda a variadíssima sordidez da condição humana.

Enquanto o canalha é difícil de ser descoberto – pois ninguém quer ser um canalha, ainda mais assumido – o político, principalmente o político canalha, é descaradamente patife.

O político canalha, diferentemente do simples e mortal canalha, que se esconde atrás de borrões de honestidade, desde sempre autoriza: “Cuspam me na cara! Eu sou um canalha abjeto”. Em sua maravilhosa desfaçatez, por baixo de uma lustrosa cara-de-pau, nunca se deixará levar pelo nojo de beijar uma criança remelenta e acatarrada. Comerá pastéis gordurosos, bebendo caldo de cana em copos de plásticos. Partilhará, prodigiosamente, apertos de mãos e abraços em gente pobre e malvestida distribuindo sorrisos, que fariam inveja aos comerciais de dentifrícios. Barganhará o maior valor possível na hora de receber a propina, mas se contentará com os 10% oferecido pelo corruptor. Destruirá nobres preceitos bíblicos: mentirá, roubará e prevaricará. Se o manto da sua canalhice cair, chorará publicamente, jurará pelos filhos, pelos pais e pelo país.

Entretanto, a inveja ao político canalha é patente, pois quem tem inveja do honesto pobre e malsucedido? O sujeito honesto existe às pencas. Eles estão em favelas, cidades e estados brasileiros. Frequentam filas de hospitais, acordam cedo, enfrentam conduções lotadas e caras, são assaltados por bandidos. São achacados honestamente pelo governo pagando impostos exorbitantes.

Você, canalha, que se esconde atrás do manto honestidade, não se engane! Você não é um canalha de primeira linha. Aprenda com os políticos! Assuma a sua canalhice e se torne um canalha de estirpe.

 

2 Comentários

  1. Que bom termos pessoas com coragem e discernimento para escrever a realidade que desprezamos. Somos obrigados a engolir ,mesmo sabendo que a indigestão vai ser companheira inseparável. Parabéns Gil, obrigado, funcionou como um Sal de Frutas com sabor Verde e Amarelo.

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