Armas de Brinquedo: Sou a Favor

Por Gil DePaula

(Texto originalmente publicado no Jornal Guará Hoje, em 2013)

Arma-de-brinquedo Armas de Brinquedo: Sou a Favor

 

Não sem razão, ontem, no programa Agora é Tarde da rede Bandeirantes, apresentado por Danilo Gentili, a Lei sancionada pelo governo do Distrito Federal que proíbe a venda e o uso de armas de brinquedo, virou piada. E não tenho dúvidas, que essa Lei é realmente digna de pilhéria e vou explicar o porquê:

Nos idos dos anos 60 aos 70, era comum a televisão brasileira transmitir os chamados filmes e séries de bang-bang, que com seus: John Wayne, Zorro, Roy Rogers e tantos outros, faziam a alegria da garotada. Invariavelmente, era uma época de brincadeiras divertidas e saudáveis e as crianças obrigatoriamente se exercitavam fisicamente, pois elas (as brincadeiras), assim o exigiam.

Os mais velhos certamente lembrarão das peladas de rua, do pique esconde, do salve bandeirinha, da queimada, etc., como também não esquecerão as brincadeiras de bang-bang, que se constituía em dividir a turma em duas. Os brinquedos usados eram revólveres de plástico, de espoleta, de madeira e até os dedos polegar e o indicador.

Não me lembro de nenhum dos meus amigos que tenham se tornados violentos por causa dessas brincadeiras. Mas, recordo-me de várias pessoas que se tornaram violentas por terem famílias desestruturadas, pela falta de estudo, por mal terem o que comer ou vestir, por não lhes serem ensinados princípios religiosos e pelo uso das drogas. Eu, meu irmão, meu filho, brincamos com armas de brinquedo, no entanto, nunca praticamos a violência, nunca usamos qualquer espécie de droga ilícita, e nos tornamos pessoas de reputação ilibada, assim como tantos outros que conhecemos.

Hoje, o grande barato dos jovens são os jogos virtuais, onde a violência explode a cada segundo diante dos seus olhos, seja na tela do computador ou dos vídeos games. Estes sim, comprovadamente, vêm influenciando pessoas com problemas psicológicos ou de personalidade fraca.

Façamos Leis que obriguem que todo dinheiro recuperado da corrupção sejam usado para garantir o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes. Façamos Leis que obriguem a todo parlamentar, ministros, secretários de governo, etc. a adotar uma instituição de crianças carentes, em vez de contratarem funcionários fantasmas para trabalharem em suas campanhas. Façamos Leis que destinem para instituições sérias, pelo menos 10% da verba anual que os deputados e senadores possuem para contratação de funcionários. Façamos Leis que determinem que nenhum professor do país ganhe menos que 20% do salário de um deputado. Façamos Leis que não permitam que as escolas tenham carteiras, cadeiras, janelas e telhados danificados. Façamos Leis que obriguem as crianças doentes serem atendidas no máximo em uma hora.

Devemos entender, que a fome, a corrupção, o descaso público e o desvio de dinheiro (independentemente do modo) é um ato imoral mais letal que a propriedade ou o porte de armas verdadeiras. Portando, a proibição de armas de brinquedo, não passa de uma brincadeira de mau gosto.

Livros de Gil DePaula

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