Copa do Mundo 2018: Nada a Comemorar

Por Gil DePaula

Jules Rimet, nascido em Theuley-les-Lavoncourt, França, foi presidente da Federação Francesa de Futebol de 1919 a 1945, bem como da FIFA de 1921 a 1954. Sob a iniciativa dele, o primeiro Mundial de Futebol foi realizado em 1930. Depois, o troféu a ser entregue as equipes vencedores levaria o seu nome para homenageá-lo.

Ao longo dos anos, a Copa do Mundo encanta milhões de pessoas ao redor do mundo, seja ela em qualquer lugar que seja realizada, levando multidões de pessoas a comemorar freneticamente, quando sua seleção ganha jogos ou a própria Copa. Por outro lado, comumentemente, o choro chega a ser convulsivo quando a derrota se apresenta.

O Brasil é o país que mais títulos detém do torneio, já são cinco conquistas. Ironicamente, nas duas vezes em que o mundial foi disputado em terras verde-amarelas nossas equipes fracassaram. Em 1950 perdemos na final para o Uruguai. Em 2014 sofremos uma acachapante derrota para a Alemanha antes de chegarmos às finais do evento.

Todavia, a derrota de 2014 não foi somente dentro das chamadas quatro linhas. Como era previsto, fomos derrotados por uma força muito maior: a força da corrupção. Empreiteiros, governo, políticos e empresários se uniram para afanar os cofres públicos desviando descaradamente um montante que seguramente passa do 1 bilhão de reais. Somente no Distrito Federal 212 milhões de reais foram parar no bolso da cafajestada.

Mas, qual é o ganho que uma Copa do Mundo traz para o brasileiro que não esteja envolvido com ela? Talvez uma alegria fugaz, porque nada muda na vida de nenhum de nós. Quem trabalha, continuará a trabalhar. Quem estuda, continuará a estudar. Quem tem dívidas terá que pagá-las do mesmo jeito, caso o Brasil ganhe a Copa ou não.

Seguramente, a Copa do Mundo faz a alegria da FIFA, da CBF, da imprensa, da televisão, das companhias aéreas, empresas de diversos matizes e jogadores, que certamente terão a burra enriquecida pelo dinheiro gasto pelos torcedores, que acompanham ao evento pessoalmente ou não.

Se o Brasil conseguir sagrar-se campeão da presente Copa Mundial, seguramente nossos hospitais continuarão um lixo, nossa segurança um caos, nossas escolas seguirão péssimas e nossos políticos continuarão a ser os mesmos ladrões descarados, isto se não se tornarem piores, visto que; podem enxergar esse momento como uma oportunidade a mais para exercerem suas canalhices, já que este é um ano de eleições, e todos eles, certamente, estão ávidos por dinheiro.

Os nossos problemas vão muito além do cabelo do Neymar, da falta de gols do Messi ou das surpresas nos jogos quando um time inferior consegue ganhar do outro que era considerado superior. Nossos problemas reais são aqueles que podem começar a ser resolvidos nas próximas eleições de maneira simples e eficaz: comecemos não reelegendo o político sabidamente salafrário.

Portanto, guardemos os  fogos para o dia em que o  Brasil possua a marca da decência em todos os níveis. 

 

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