Crônica da Juventude: A Menina Que Não Queria Dançar

Por Gil DePaula

Anos70 Crônica da Juventude: A Menina Que Não Queria Dançar

A juventude de hoje, provavelmente não é capaz de imaginar, o porquê da paixão dos seus pais e/ou avós, em pleno século 21, pela década de 70. A resposta é simples: foi uma década extremamente marcante no Brasil e no mundo.

Movimentos sociais organizados, revolução sexual, disco music, festivais de música, Michel Jackson, John Travolta, clássicos cinematográficos, Brasil tricampeão de futebol, TV em cores, Pelé, Jimi Hendrix, Silvester Stallone (Rocky, um lutador), A Dama do Lotação, Dona Flor e Seus Dois Maridos (levando Sonia Braga ao estrelato), Vera Fischer, Xuxa, Cristiane Torloni, a saudosa Marília Pera e a Guerra do Vietnam, fazem parte dos acontecimentos ou pessoas que propiciaram a tônica dos anos 70.

Em Brasília e nas cidades-satélites, que viviam a infância da criação sob a batuta do regime militar, o grande barato dos jovens eram as paqueras e os famosos “sons”, ou seja, bailinhos movidos aos discos de vinis tocados em vitrolas realizados nas casas desses ou daqueles, com total liberdade para todos de ir e vir.

Recordo-me, que com a proximidade do final de semana, os interesses dos moços recaiam em saber onde aconteceria o próximo “som”. Oportunidade para se divertir dançando, e com sorte, arranjar um (a) namorado (o).

Invariavelmente, nesses “sons”, as moças aguardavam ser chamadas para dançar, cabendo aos homens a iniciativa de convidá-las. Eu, em um desses bailes, beirando meus 16 anos, resolvi solicitar a uma das moças que dançasse comigo, jovem esta, que somente mais tarde fui conhecer toda a fama de braveza que ela possuía. Como pagamento pelo meu atrevimento, recebi um sonoro não, gritado a plenos pulmões: EU NÃO QUERO DANÇAR COM VOCÊ NÃO”! Me deixando, plenamente envergonhado, diante de uma plateia atônita, a qual abandonei imediatamente, tal qual, cachorro escorraçado. Entretanto, hoje, me recordo do fato com bom humor.

Passados alguns anos, eu de namoros com minha esposa, que por coincidência era vizinha da tal moça do baile, presenciamos mais uma cena impagável da tal jovem: uma surra homérica que ela aplicava em seu marido, em plena rua (pasmem: ela conseguiu se casar).

Recentemente, soube que a moça que agora já é uma senhora, continua casada com o tal rapaz.

Entretanto, posso me vangloriar, que pelo menos de uma bela surra me livrei.

Livros de Gil DePaula

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2 Comentários

  1. Gil,

    Retratou muito bem a época!
    Que sorte foi recebeu o “não”! 🤣🤣

    Abraços,
    Wan Morais

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