Crônica da Vida: A Feliz e Triste Reunião de Amigos

Por Gil DePaula

c Crônica da Vida: A Feliz e Triste Reunião de Amigos

Em janeiro de 1984, fui trabalhar numa empresa chamada Cobra Computadores, que foi a primeira empresa de tecnologia do governo brasileiro. Era uma empresa que fornecia computadores e softwares, a diversas outras, principalmente a órgãos do governo. Apresentava, uma departamentalização bem simples, se dividindo, basicamente, entre os setores administrativo, marketing, técnico, software e gerência. Eu, permaneci nessa empresa por três anos e meio, quando resolvi me desligar dela.

Em 2011, ou 2010 (não me recordo exatamente o ano), capitaneado por um antigo colega da empresa, decidiu-se procurar e juntar, a maior quantidade possível dos funcionários antigos, que ainda trabalhavam ou não, nela, para que fosse realizada uma reunião de confraternização entre os que fossem encontrados e estivessem dispostos a participar do encontro.

Na época, a facilidade de comunicação entre as pessoas, já estava bem facilitada pelo uso do e-mail (o WhatsApp ainda não havia se consolidado), e pelo esforço pessoal de alguns colegas, conseguiu-se agendar o encontro com um considerável número de funcionários e ex-funcionários.

Os mentores do encontro decidiram realizar a confraternização em um bar da Asa Norte de Brasília. Quando cheguei ao local, alguns do meus antigos colegas e amigos, já estavam em uma deliciosa conversação regada à cervejas e tira-gostos. Confesso que fiquei muito feliz e com grande expectativa de saber como estavam todos.

Inicialmente, a conversa fluiu divertida e alegre. Entre várias recordações, lembramos de um amigo, que havia trabalhado conosco e que já havia falecido: o Batuíra. Batuíra era um sujeito engraçado, roceirão e que não ligava muito para sua própria limpeza, mas era incapaz de perturbar a quem quer que fosse. Ele, dentro do seu mundo particular, não enxergava sua própria ingenuidade. Em Resumo; era um sujeito daqueles que todos gostam. Eu, particularmente gosto muito dele, pois tenho certeza, que ele atualmente desempenha (como bom espírita que era) grandes tarefas no mundo espiritual, levando em consideração, o bom caráter que sempre teve.

Passado algum tempo, os efeitos etílicos começaram a deixar suas marcas em todos nós. Nesse momento, o comportamento de alguns se modificou, e, eu, estupefato, percebi que vários dos nossos colegas se mantinham no passado. Tanto, no pensamento, quanto no comportamento. Não parecia que havia se passado quase trinta anos. Alguns, daqueles cinquentões, procediam, tal quais, jovens de 20 a 30 anos.

O pior, é que além das brincadeiras jocosas, que poderiam ferir a outros, lembranças negativas sobre um ou outro, foram repisadas sem nenhum constrangimento, e atiradas à face de algum colega mais desavisado, em que o vexame se estampou.

Naquele momento, pensei: por que é sempre mais fácil nos lembrarmos dos fatos negativos, e relegarmos os positivos? Por que é tão difícil elogiarmos e ver as boas qualidades do outro? Por que é tão difícil servimos ao outro, quando esse nos procura?

Hoje, concluo, que crescer no aspecto individual, deixando velhos ranços para trás, é para poucos. Poucos conseguem evoluir com o tempo, fazendo dele um aliado.

E a resposta final, que me atrevo a dar, é: Porque Somos Humanos Demais.

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4 Comentários

  1. O ser humano é muito egoísta e na maioria individualista. A gente só muda quando alcançamos a evolução espiritual e são poucos que tem essa capacidade.

  2. Gustavo Bechelany

    Esse texto chegou em boa hora.

    Obrigado!

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