O Feitiço do Tempo

Por Gil DePaula

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Eu sou aficionado por filmes, que trazem boas histórias. Há muito, tenho em minha coleção, um filme chamado “Feitiço do Tempo”, protagonizado por Bill Murray e pela bela Andie Macdowell e, não sei exatamente, o porquê de não o haver assistido. Talvez, o título dele não me empolgasse. Talvez, apenas hoje, fosse o momento para que isso acontecesse.

Conjecturas à parte, descobri que Feitiço do Tempo, não é apenas um filme. A história da película vai além, e se mostra uma verdadeira fábula. Logicamente, amigo leitor, você sabe o que é uma fábula, pois sem dúvida, quando era criança, leu ou escutou, algumas belas histórias infantis, tais quais; Pinóquio, Chapeuzinho Vermelho, Bela Adormecida, Branca de Neve, João e Maria, A Cigarra e a Formiga, A Raposa e as Uvas, O Gato de Botas, e tantas outras. Porém, resumidamente, vou explicar o que é uma fábula: elas são aquelas histórias, geralmente desenvolvidas com animais irracionais e seres humanos, temperadas pelo suspense e pela criatividade, que em seu término apresentam uma lição para a vida.

Em Feitiço do Tempo, o personagem principal, Phil Connors (Bill Murray) se vê preso no tempo, repetindo intermináveis vezes o mesmo dia (depois, essa ideia se tornaria o mote para vários filmes). Seu mundo é habitado pelas mesmas pessoas todos os dias, mas eles não sabem que o dia está se repetindo.

Phil Connors é um personagem mal-humorado, prepotente e vaidoso, que durante o desenvolvimento da história, vai receber a lição para a vida, que o transformará. A sua arrogância, impacta seus colegas de profissão, amigos novos ou antigos, mendigos e outros desconhecidos.

Ao longo da minha existência, conheci várias pessoas possuidoras da “Síndrome do Feitiço do Tempo”. Também, não me excluo de tê-la possuído, mas, diferentemente de alguns, possuo o bom senso, de a cada dia, procurar deixá-la para trás.

Com tristeza, vejo amigos e outras pessoas, que ainda estão presos ao “Feitiço do Tempo”, destilarem suas intolerâncias no dia a dia. Uns, cheios de arroubos políticos – sejam eles de esquerda ou de direita – desfilam suas intolerâncias com aqueles que não comungam com suas ideias. Ao menor pretexto, partem para a agressão verbal e descabida, até com aqueles que um dia ousaram chamar de amigos.

Outros, se cobrem pelo manto da soberba e desprezam aqueles que, supostamente, estão em posição de inferioridade a eles, seja profissionalmente ou em poder financeiro. O desprezo com algumas classes é tão gritante, que se cunhou o termo “os invisíveis da sociedade”, onde estão inseridos nossos irmãos garis, guardas, moradores de rua, garçons, empregadas domésticas, etc.

Políticos, juízes e ministros, enfeitiçados pelo tempo, vertem, em seus poros, o fel e a vileza do poder terreno, que mais cedo ou mais tarde, lhe será tirado.

Supostos intelectuais, menosprezam as ideias, a fala e a escrita daqueles que lhes concorrem no debate e, para mim, estão entre os mais enfeitiçados, pois esquecem, que aqueles que mais sabem, devem levar o conhecimento aos outros.

E, em pleno século XXI, mais de 2000 anos, após a vinda do Cristo, o racismo e a intolerância religiosa ainda perduram.

Pena, que passada a atual crise, vivida por conta da pandemia, que escancara em nossas faces, o tanto que somos insignificantes perante (até) a um ser microscópico, poucos farão dessa crise uma lição de vida e se purgarão do Feitiço do Tempo, se renovando como seres humanos, tornando-se mais grandiosos.

 

 

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2 Comentários

  1. Antonio Carlos dos Santos

    Seria realmente interessante se o “Feitiço do Tempo” transformasse as mentes e os corações homens de uma maneira positiva para o bem de todos.

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