Garrincha: O Anjo/Diabo das Pernas Tortas

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Gil DePaula
Gil DePaula
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Quando se fala de futebol no Brasil, é impossível não mencionar o nome de Manuel Francisco dos Santos, mais conhecido como Mané Garrincha. Ele foi um dos atacantes de maior sucesso no futebol. Sua trajetória é recheada de capítulos bonitos e histórias inusitadas.

Muitos jogadores excepcionais foram ofuscados pela genialidade de Pelé. Garrincha poderia ter sido o melhor jogador do mundo, se o rei não se fizesse presente, na mesma época, nos gramados.

Garrincha integrou uma seleção brasileira que se cansou de dominar o panorama do futebol. Dos sessenta confrontos internacionais que disputou, apenas perdeu um jogo e levou o título das copas da Suécia, em 1958, e do Chile, em 1962. Ainda que, Garrincha não tenha marcados gols nas finais, os placares foram, respectivamente, de 5 a 2, contra a Suécia, e 3 a 1 contra a Tchecoslováquia

O corpo de Garrincha não era fisicamente o que se esperava para um jogador de futebol. Seus pés formavam um ângulo de oitenta graus para dentro, sua perna direita era seis centímetros maior que a esquerda e ele tinha a coluna torta.

Garrincha foi um apelido dado a ele por seus irmãos, por ele, supostamente, parecer-se com um pássaro comum nas florestas do Mato Grosso que tinha esse nome.

Manuel Francisco permaneceu dez anos no Botafogo, tendo conquistado três campeonatos cariocas. Depois, representou o Corinthians, a Portuguesa Santista, o Junior de Barranquilla da Colômbia, o Flamengo, o Red Star Paris e o Olaria.

Em homenagem a Garrincha, o Estádio Nacional de Brasília recebeu o nome de Mané Garrincha. Foi construído em 1974, reformado para a copa de 2014 e possui capacidade para 70 mil pessoas.

Mané se casou três vezes e teve 14 filhos. Com a cantora Elza Soares, a grande paixão da sua vida, foi pai de um deles.

Dentro de campo, Mané era um show, um espetáculo que enchia os olhos com sua habilidade. Ele conseguiu ultrapassar a barreira do esporte e contagiar o público e, por isso, é considerado o dono do melhor drible de todos os tempos. Mudava de direção, iludia e fintava com facilidade.

Na Copa do Chile, em 1962, Pelé, no jogo contra a Checoslováquia, sofreu uma lesão e não pôde mais jogar, Garrincha, então, tornou-se o protagonista da seleção brasileira. Mané foi um dos artilheiros do torneio com quatro gols.

Uma vida de abusos que começou muito cedo marcou o final de sua experiência neste mundo. Aos 50 anos,em 20 de janeiro de 1983, ele faleceu por causa de seu alcoolismo crônico, algo que nunca pôde superar desde que começou a beber.

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